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    Piracicaba, 27/01 12h00 - Cepea, 27 – O movimento de baixa dos preços do suíno vivo persiste em quase todas as regiões acompanhadas pelo Cepea. No correr deste mês, as desvalorizações do animal chegam a quase 15% em algumas praças de São Paulo. Na região chamada SP-5 (Bragança Paulista, Campinas, Piracicaba, São Paulo e Sorocaba), por exemplo, o recuo está em 14,3% na parcial de janeiro (entre 29 de dezembro de 2011 e 26 de janeiro de 2012), com o quilo a R$ 2,67 na quinta-feira. Por sua vez, insumos importantes para a atividade, como milho e farelo de soja, estão ficando mais caros, resultando em perda do poder de compra dos suinocultores. (Fonte: Cepea – www.cepea.esalq.usp.br )
  • Cepea - FRANGO/CEPEA: Vivo e carne seguem desvalorizando
    Piracicaba, 27/01 12h00 - Cepea, 27 – Neste início de 2012, as cotações do frango vivo e da carne continuam recuando na maioria das regiões acompanhadas pelo Cepea. Esse cenário já era esperado por agentes, visto que a demanda em janeiro geralmente é mais fraca. O que tem chamado a atenção é a intensidade e a velocidade dessas quedas. Para o animal vivo negociado no estado de São Paulo, o recuo nos últimos sete dias (entre 19 e 26 de janeiro) chegou a quase 15% na região de Descalvado (SP), com os negócios realizados na média de R$ 1,42/kg nessa quinta-feira, 26. Quanto aos preços da carne, o frango inteiro congelado negociado na Grande São Paulo teve desvalorização de 2,2% no mesmo período, com o quilo negociado na média de R$ 2,68 nessa quinta, 26. (Fonte: Cepea – www.cepea.esalq.usp.br )

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Álcool , Açúcar e Bioenergia
Impasse compromete futuro do etanol PDF Imprimir E-mail
Escrito por (Estado de São Paulo 19/12/2011)   
TUE, 20 de DECEMBER de 2011 19:36

abastecimentoO confronto entre o choque da oferta do etanol e a política de estabilização dos preços da gasolina se transformou num imbróglio macroeconômico para o governo. A estratégia de combate à inflação amplificou os problemas do setor, aumentando as incertezas sobre o futuro da produção sucroalcooleira, os novos investimentos, a demanda da gasolina e o futuro da matriz energética do País.
O governo e os empresários do setor têm travado uma queda de braço, que se intensificou nos últimos meses, para fechar um pacote de medidas de incentivo à cadeia produtiva do etanol. A gota d"água foi a redução da tributação (Cide) incidente na gasolina para ajudar a Petrobrás a suportar os custos maiores da alta do preço do petróleo sem repasse ao consumidor.
A decisão acentuou a quebra da paridade econômica entre a gasolina e o álcool. O setor quer incentivo tributário para o produtor de cana e também para o álcool na bomba. Os empresários cobram a demora do governo em resolver o problema da competição do etanol com a gasolina. Na avaliação do setor, a falta de solução pode levar o Brasil a ter que rediscutir a matriz energética e a participação dos dois combustíveis no mercado.
O País é o único a contar com a possibilidade de abastecer o automóvel 100% à álcool. Diminuir a participação do etanol, reduzindo-o a simples aditivo da gasolina, representaria um retrocesso. Também iria contra os esforços de anos do governo de promover o etanol a uma commodity, com preços definidos pelo mercado internacional.
Acostamento. "O problema é que nós estamos feridos de morte. O governo quebrou a paridade econômica entre o preço do etanol e da gasolina", disse o presidente da Usina Aroeira, Maurílio Biagi. Para o empresário, o setor foi colocado definitivamente no "acostamento" quando a Cide foi reduzida. Por isso, defendeu a diminuição do PIS e Cofins sobre o etanol para melhorar a situação econômica do produtor.
Segundo Biagi, a queda na produção é uma consequência do aumento dos custos nos últimos anos e no reajuste dos preços para o consumidor. "Estamos fazendo um ajuste burro, ao contrário. Estamos diminuindo a produção para ajustar os nossos custos", disse.
As incertezas com relação ao cenário de médio e longo prazo para o setor tem limitado a entrada de novos players no mercado. As mudanças ocorridas no setor vieram por meio de fusão ou aquisição, mas com pouca abertura de usinas e injeção de capital novo. A área técnica do governo admite que esse é um gargalo a ser atacado.
O governo reconhece que produtores e usineiros têm problemas estruturais, mas enxerga também que as dificuldades ainda não foram sanadas por falta de boa vontade do setor. Tradicionalmente, toda vez que os usineiros se "apertaram", recorreram ao governo para ter suas demandas atendidas. Essa foi uma prática recorrente até o governo Lula, que manteve o bom trânsito do setor no Planalto. Com Dilma Rousseff, as exigências de contrapartida estão mais claras.
Estratégia "O assunto é complexo; não é simples. O governo já está ciente de que precisa de uma estratégia de médio e longo prazos. E isso porque já temos um problema de curto prazo", afirmou Gerardo Fontelles, diretor de agroenergia do Ministério da Agricultura.
A secretária de desenvolvimento da produção do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), Heloísa Menezes, informou que o pedido de redução de PIS e Cofins está em estudo. "O Ministério da Fazenda precisa fazer as contas", afirmou. Segundo a secretária, o setor também precisa de mecanismos reguladores para tirar as ineficiências de mercado.
Para o diretor técnico da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), Antonio de Pádua Rodrigues, o governo está demorando para agir, o que pode aprofundar os problemas até 2020. "Não teremos oferta nem de etanol e nem de gasolina suficiente para atender a necessidade de combustível que o País precisa", advertiu. Na sua avaliação, esse é um momento de "turning point" (virada) para o setor.
O diretor reclama que até agora não foi sinalizada nem uma desoneração fiscal na ponta do consumo, mas apenas para o produtor de cana. "Isso não aumenta a competitividade na bomba", argumentou. Na sua avaliação, falta vontade política do governo para entender a importância do setor.
Como a alta dos preços do etanol foi um forte fator de pressão na inflação este ano, o governo deixou o setor de fora do Reintegra, um programa de estímulo ao setor manufatureiro que devolve às empresas o equivalente a 3% do valor exportado. A decisão deteriorou o ambiente de negociação. O governo não quer estimular as vendas no mercado externo neste momento para evitar novos problemas de abastecimento no mercado interno.

 
Jorge Viana inclui normas para recomposição de APPs, regras para cidades e capítulo para agricultura familiar PDF Imprimir E-mail
Escrito por Redação   
FRI, 25 de NOVEMBER de 2011 15:08

 

O relator do projeto de novo Código Florestal na Comissão de Meio Ambiente (CMA), senador Jorge Viana (PT-AC), apresentou substitutivo do texto nesta segunda-feira (21), incluindo, entre outras alterações, regras para recomposição de Área de Preservação Permanente (APP) desmatadas irregularmente, normas para áreas protegidas nas cidades e capítulo específico sobre agricultura familiar.

Nas disposições transitórias, que tratam da regularização do passivo ambiental, as mudanças sugeridas foram decididas em conjunto com o senador Luiz Henrique da Silveira (PMDB-SC), relator do projeto nas comissões de Agricultura (CRA) e de Ciência e Tecnologia (CCT).

O novo texto mantém a autorização de atividades agrossilvipastoris, de ecoturismo ou de turismo rural em APPs ao longo dos rios e a obrigação de recomposição de, pelo menos, 15 metros de mata ciliar para rios até 10 metros de largura, contados do leito regular. Para rios com mais de dez metros de largura, o substitutivo incluiu obrigação de recomposição de faixas de matas correspondentes à metade da largura do rio, observado o mínimo de 30 metros e o máximo de 100 metros.

Para os imóveis rurais que detinham, em 22 de julho de 2008, área de até quatro módulos fiscais, a exigência de recomposição de mata ciliar não poderá ultrapassar o limite da reserva legal estabelecida para o imóvel.

Nos imóveis que detinham, na mesma data, área entre quatro e quinze módulos fiscais, os conselhos estaduais de Meio Ambiente poderão deliberar que os Programas de Regularização Ambiental (PRA) fixem limites da recomposição exigida.

Cidades

No tratamento dado às APPs nas disposições permanentes, foram incluídas novas regras para zonas urbanas. Ficou estabelecido que "as faixas marginais de qualquer curso d'água natural que delimitem as áreas da faixa de passagem de inundação terão sua largura determinada pelos respectivos Planos Diretores e Leis de Uso do Solo, ouvidos os Conselhos Estaduais de Meio Ambiente".

Agricultura familiar

No capítulo que dá tratamento diferenciado para a agricultura familiar, foram reunidas regras que levam em consideração a situação peculiar desse segmento, abrangendo temas como supressão de vegetação para atividades de baixo impacto ambiental, procedimento simplificado para inscrição no Cadastro Ambiental Rural (CAR) e para o licenciamento ambiental de Planos de Manejo Florestal.

O capítulo também trata da oferta de apoio técnico e jurídico para o cumprimento das obrigações ambientais, além de medidas específicas de estímulo e de financiamento.

Princípios e conceitos

Já no início de seu relatório, Jorge Viana destacou mudança no primeiro artigo da nova lei, para determinar como se fundamento "a proteção e uso sustentáveis das florestas e demais formas de vegetação nativa em harmonia com a promoção do desenvolvimento econômico". Ele também listou oito princípios que nortearão a aplicação do novo código.

O relator na CMA incluiu, na lista de atividades consideradas de interesse social, a pesquisa. Nas atividades de baixo impacto ambiental, ele atribuiu ao Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) e aos conselhos estaduais a prerrogativa de indicar outras ações que poderão justificar a retirada da vegetação.

Jorge Viana também alterou o conceito de pousio, reduzindo de 10 para cinco anos o prazo para a sua caracterização. Também restringiu a prática para até 25% da área produtiva da propriedade rural. No mesmo capítulo, foram inseridos conceitos de "área abandonada", "área verde urbana", "várzea de inundação ou planície de inundação", "faixa de passagem de inundação" e "áreas úmidas", os quais passam a ser utilizados para o estabelecimento de regras de proteção ambiental ao longo do texto.

Reserva Legal

Os produtores rurais sãos os mais interessados na conservaçãoPara os estados localizados na Amazônia Legal, o texto prevê que a reserva legal seja fixada em 50% da área da propriedade nos casos em que mais de 65% do território do estado estiver ocupado por áreas públicas protegidas.

O substitutivo também fixou em cinco anos o prazo para que os estados aprovem o Zoneamento Ecológico-Econômico (ZEE), seguindo metodologia unificada.

No regime de proteção da reserva legal, foi incluída previsão determinando que, no prazo de cinco anos, seja promovida a recomposição das áreas em que houve, a partir de 22 de julho de 2008, desmatamentos irregulares. Também foram promovidos ajustes nos dispositivos que tratam do manejo sustentável de reserva legal.

Incentivos econômicos

Jorge Viana também reformulou capítulo que trata dos incentivos econômicos para preservação e recuperação de áreas florestadas, incorporando, entre outras possibilidades, o pagamento por serviços ambientais. Entre tais serviços estão, além da conservação dos recursos hídricos e dos solos, o sequestro de carbono, a conservação da beleza cênica natural, a conservação da biodiversidade e a valorização do conhecimento tradicional ecossistêmico.

Para incentivar aqueles que cumpriram a legislação ambiental, foi disciplinada a aplicação da progressividade como critério para o estabelecimento de prioridades na destinação de recursos e no acesso às medidas de estímulo.

Também foi incluída a possibilidade de o governo federal implantar programas de conversão de multas para a agricultura familiar e propriedades com até quatro módulos fiscais. O relator estabeleceu ainda que pelo menos 30% dos recursos arrecadados com a cobrança pelo uso da água serão destinados à manutenção ou recomposição de APP na respectiva bacia hidrográfica onde houver a cobrança.

Cadastro ambiental

O relator estabeleceu prazo de um ano, prorrogável por uma única vez por igual período, para que seja realizada a inscrição da propriedade no Cadastro Ambiental Rural (CAR). Ele também aprimorou o texto para assegurar a disponibilização dos dados do cadastro na internet.

Incêndios

Conforme o substitutivo, o novo código terá regras mais amplas e objetivas para evitar incêndios. O relator fixou normas para planos de combate a incêndios florestais, determinando ainda que o governo federal estabeleça uma política nacional de manejo de florestas e controle de queimadas.

Regularização

Ainda nas regras transitórias, o relator estabeleceu prazo de um ano, a partir da publicação da nova lei, prorrogável por igual período, para que a União, estados e o Distrito Federal implantem os Programas de Regularização Ambiental (PRA).

Jorge Viana também tratou de atividades consolidadas em topos de morro e em áreas de inclinação entre 25º e 45º, onde poderão ser admitidas atividades florestais, culturas de espécies lenhosas, perenes ou de ciclo longo, além de infraestrutura associada ao desenvolvimento dessas atividades. O relator, no entanto, veda a possibilidade de novos desmatamentos nas áreas protegidas.

Disposições finais

O relator acatou emenda prevendo que sejam adotadas, pela Câmara de Comércio Exterior (Camex), medidas de restrição às importações de produtos de origem agropecuária ou florestal produzidos em países que não observem normas de proteção ambiental.

O relator também propõe que, após cinco anos da entrada em vigor da futura lei, as instituições financeiras oficiais só concederão crédito agrícola para proprietários de imóveis rurais que estejam inscritos no CAR e que comprovem sua regularidade.

Para acompanhar e conhecer mais sobre a aprovação do Código Florestal acesse sempre http://www.canaldoprodutor.com.br/codigoflorestal

 

 

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Punir ou incentivar o etanol? PDF Imprimir E-mail
Escrito por Marcos Sawaya Jank - O Estado de S.Paulo   

A crise financeira global de 2008 passou de raspão pela economia brasileira e pode até ter sido apenas uma "marolinha" para certos setores. Já os que vinham se expandindo com pesados investimentos foram drasticamente afetados pelo forte enxugamento de liquidez daquele ano. Ali nasceu o problema que vive hoje o etanol brasileiro.

Entre 2000 e 2008 a produção de cana cresceu 10,3% ao ano, dobrando em apenas oito anos o que o Brasil levou quase 500 anos para produzir. De 2008 em diante um terço do setor enfrentou imensas dificuldades financeiras, que resultaram num intenso processo de consolidação financeira e societária. Com os investimentos concentrando-se na compra de empresas em dificuldades, e não na construção de novas usinas, o crescimento do setor caiu para 3% ao ano. Hoje temos um menor número de empresas, com melhor estrutura de capital e governança, porém a produção de cana-de-açúcar praticamente se estagnou.

Portanto, o grande desafio do momento é crescer de forma regular e sustentável, fugindo da volatilidade e do eterno stop and go que marcam a história recente do setor. Neste ponto surge a grande questão: quais são as políticas mais adequadas para garantir o crescimento harmônico de uma indústria sui generis, que gera uma fabulosa gama de produtos renováveis: alimentos, biocombustíveis, bioeletricidade e bioplásticos?

Esta é a dimensão do desafio que temos pela frente: entender que uma maior regulação parece ser necessária na componente energética da indústria, mas que o intervencionismo excessivo pode levar a um engessamento, inibindo investimentos essenciais para o seu crescimento.

O primeiro grande equívoco neste momento é acreditar que o problema reside no preço do açúcar. É verdade que nos dois últimos anos foi mais lucrativo usar o caldo da cana para produzir açúcar. Porém a "flexibilidade" das usinas para optar pelo açúcar se restringe a apenas 6% da produção de cana. Na última safra foram quase 5 milhões de toneladas de açúcar adicionais, que dariam para fazer 3 bilhões de litros de etanol, mas com importante perda de lucratividade para as empresas. Ocorre que só a quebra de safra pela estiagem em 2010 causou a perda do equivalente a 5 bilhões de litros de etanol. E a desaceleração do crescimento do setor depois da crise de 2008 foi equivalente a uma redução de produção de cana que poderia gerar outros 11 bilhões de litros de etanol este ano, quase metade do consumo do País do ano inteiro. O verdadeiro problema, portanto, não está na substituição do etanol pelo açúcar, mas sim na falta de investimentos em produção de cana-de-açúcar para produzir ambos.

O diagnóstico equivocado, que atribui os atuais problemas ao aumento da produção de açúcar, levou a ameaças de políticas públicas de caráter punitivo, que gerariam insegurança, afastariam investimentos e frustrariam o crescimento da indústria. Medidas como a taxação das exportações de açúcar, a restrição das exportações de etanol ou a redução da mistura de etanol na gasolina aquém do limite legal de 20%, cogitadas nos últimos dias, produziriam o contrário do que o momento exige.

Analisemos, aqui, apenas as consequências da taxação das exportações de açúcar. O Brasil responde por cerca de 20% da produção e mais de 50% das exportações mundiais de açúcar. O produto ocupa o quinto lugar na pauta brasileira e no ano passado respondeu por exportações de US$ 13 bilhões. Pela relevância do Brasil no mercado internacional, taxar as exportações de açúcar causaria um aumento imediato do preço do produto, gerando pressão inflacionária e insegurança alimentar no Brasil e no mundo. Certamente perderíamos market-share e credibilidade em nossas posições históricas nas negociações para derrubar distorções no comércio agrícola mundial. Além disso, a medida poria em risco o resultado obtido no contencioso do açúcar contra a União Europeia, a qual contaria com novos elementos para retomar suas vendas de açúcar subsidiado. Nossa reputação internacional como supridor de alimentos estaria desmoralizada, uma vez que estaríamos reconhecendo nossa dificuldade em atender simultaneamente aos mercados de alimentos e energia.

Acontece que hoje o setor tem dificuldade de investir em plantas dedicadas a etanol pela grande incerteza quanto à evolução do preço da gasolina, administrado pela Petrobrás e mantido no mesmo patamar desde 2005.  Com o aumento dos custos da produção de cana, as margens reduziram-se e o investidor teme a falta de regras claras que permitam a convivência e a competição entre dois mercados com estruturas distintas - o de etanol, pulverizado e competitivo, e o da gasolina, um quase monopólio. Taxar as exportações de açúcar ou restringir as de etanol são medidas que aumentariam o nível de incerteza e afugentariam novos investimentos.

Acreditamos haver alternativas mais saudáveis para regular o setor, resgatando a competitividade do etanol hidratado e, com isso, permitindo a entrada de novos investimentos. Se não houver mudança no preço da gasolina, uma solução seria a harmonização dos impostos federais e estaduais com alíquota reduzida para o etanol, o incentivo à bioeletricidade, a melhoria da infraestrutura, a pactuação de compromissos com a oferta de biocombustível e garantia de abastecimento, o aumento da produtividade, a redução dos custos e maior eficiência dos motores flex. Nesse contexto, é plenamente factível imaginar a construção de dezenas de novas unidades exclusivamente dedicadas à produção de etanol e bioeletricidade e voltadas para suprir a crescente demanda por energia limpa e renovável, atendendo aos mercados interno e externo. Essa é a agenda positiva que estamos buscando com toda a nossa vontade e o nosso entusiasmo.

 

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Produzir energia é um desafio para o agronegócio PDF Imprimir E-mail
Escrito por Agrolink - RS   
WED, 10 de AUGUST de 2011 21:36

Produzir energias limpas e de baixo custo não é apenas um desafio brasileiro, mas mundial. É o que concluem os especialistas presentes no 10º Congresso Brasileiro do Agronegócio, realizado pela Associação Brasileira de Agribusiness (Abag), nesta segunda-feira (8/8), em São Paulo (SP). Vários fatores foram indicados como obstáculos para um desenvolvimento mais dinâmico e efetivo do setor, como a disparidade entre oferta e demanda e a falta de investimentos em novas áreas plantadas com cana-de-açúcar. Mas a ausência de políticas públicas mais transparentes e direcionadas aos setores produtivos de etanol e biodiesel foi apontada como o principal problema.

Adriano Pires, diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura e palestra nte do painel “Novos paradigmas para a energia” afirmou que o cenário vivido hoje, inédito no Brasil, é consequência direta das políticas econômicas adotadas anos atrás pelo governo, como o congelamento dos preços dos combustíveis. “Não aconteceu somente no Brasil. Testemunhamos a mesma política na Argentina, na Venezuela. No entanto, isso [política de congelamento dos preços] provoca distorçõesgraves na economia. É o resultado que estamos tendo hoje”, diz. “Vivemos um novo cenário e não há mais opções de produzirmos energia com custo baixo”. Segundo ele, a era da energia barata definitivamente chegou ao fim.

Pires afirma que o resultado mais grave desta política se refletiu no fato de o Brasil passar de exportador para importador de combustíveis, tanto de gasolina como de etanol. “A atual crise no setor de etanol, que provocou esta enorme disparidade entre oferta e demanda, é um reflexo claro desta situação: o governo congelou os preços da gasolina em 2008, e o etanol, que é um produto sujeito às intempéries climáticas, perdeu a chance de ser competitivo. Juntando este fato à ausência de investimentos em novas áreas plantadas com cana, o preço subiu, obviamente”.

O executivo diz que, para que o setor tenha fôlego para iniciar um novo ciclo de investimentos, é preciso que o governo apresente políticas públicas mais direcionadas. “O setor de etanol está passando por uma instabilidade, e o governo tem obrigação de saber o que ele quer do etanol, qual será a presença do etanol na matriz de combustível brasileira, qual o papel do bagaço de cana na geração de energia elétrica. Os empresários estão se arriscando e vivendo em um cenário semelhante àquele dos anos 1990”, afirma. Pires também aponta um crescimento de 38% nos custos de produção do etanol nesta safra.

A análise de Adriano Pires é de que este cenário – preços altos, custo de produção elevado – ainda permaneça durante os próximos três ou quatro anos. “Isso se houver investimentos”.´

Energia Brasileira

José Goldemberg, especialista em energia, afirma que o setor sucroenergético não pode viver ciclos tão instáveis, caso contrário vai afastar os investimentos e, consequentemente, aumentar cada vez mais os custos de produção. “Instabilidade aponta problemas, riscos, e não há garantias de cumprimento dos contratos”, alerta. Goldemberg defende que o empresário brasileiro deveria ter mais segurança para investir, e esta segurança deveria vir de apoio do governo. Segundo ele, comprovadamente há mercado para o Brasil, e não há, no cenário internacional, outro mercado com tantos compradores em potencial. “Se o Brasil produzisse cinco vezes mais etanol do que hoje, já seríamos um player tão importante quanto a Arábia Saudita é para o petróleo. Para isso, precisaríamos produzir 10% do etanol consumido no mundo, mas hoje ainda estamos em 2%. O governo precisa dar mais atenção ao setor. Deixar o etanol definhar, de novo, é algo que vai custa r caríssimo para o Brasil”, diz Goldemberg.

O especialista também enxerga como um problema para o setor a responsabilidade que o usineiro passou a ter para produzir bioeletricidade. “Eu acho que não é o usineiro que tem que produzir bioeletricidade a partir da biomassa. O governo teria que comprar o excedente das usinas de cana para gerar eletricidade e exportar esta eletricidade para a rede, com custo reduzido. Quando o usineiro produz a bioeletricidade, ele tem que investir até em linhas de transmissão, que são caríssimas. Isso seria papel do governo”.    Globo Rural

 

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O pré-sal e o etanol PDF Imprimir E-mail
Escrito por Rogério Cézar de Cerqueira Leite   
WED, 09 de FEBRUARY de 2011 13:10

A despeito da inquestionável competência da Petrobras, é imensa a vantagem
do etanol sobre o petróleo do pré-sal quanto à sustentabilidade

rogerio De acordo com as últimas avaliações da Petrobras, a reserva total do pré-sal soma cerca de 13 bilhões de barris, o que corresponde a aproximadamente 1% das reservas restantes mundiais e que nada significaria para a humanidade quanto ao deslocamento do pico de produção.

Admitindo um tempo de vida de 80 anos para as reservas dos campos do pré-sal, calculamos que sua contribuição será, em média, de aproximadamente 20% acima da atual produção nacional.

Por outro lado, com o barril de petróleo a preços superiores a US$ 90, até as avaliações menos otimistas de custos de produção do barril de petróleo do pré-sal talvez justificassem o investimento.

Para a comparação de vantagens financeiras entre combustíveis são essenciais duas variáveis: os custos de produção da unidade de energia e os custos de investimento por unidade de energia por dia.

Pois bem, dentro dos limites tecnológicos atuais, o melhor que se pode esperar para o pré-sal é um custo de produção de pelo menos o dobro daquele da produção de etanol. Quanto aos custos de investimento, tudo parece indicar que a situação é ainda pior para o pré-sal.

Um terceiro fator a ser considerado é o risco financeiro.

Em primeiro lugar, há a questão de um mercado cujos governos encontram sucessivos sofismas para retardar a penetração do etanol brasileiro. Por outro lado, os riscos de produção do etanol são ínfimos em comparação com os do petróleo do pré-sal, cuja tecnologia de extração ainda não está desenvolvida.

Consideremos agora a questão da sustentabilidade e, sob esse aspecto, do aquecimento global. Enquanto o petróleo é o problema, o etanol de cana-de-açúcar é a solução. Mas não é apenas sob esse importante ângulo de sustentabilidade que a imensa superioridade do etanol sobre o petróleo do pré-sal deve ser considerada.

Risco de vazamento a grandes profundidades e sob altas pressões são imprevisíveis. Portanto, a despeito da inquestionável competência técnica da Petrobras, é imensa a vantagem do etanol sobre o petróleo do pré-sal sob qualquer aspecto de sustentabilidade.

Enquanto a produção de etanol é intensiva em mão de obra, a de petróleo o é em capital, o que é uma desvantagem para um país em desenvolvimento, em que o crescimento populacional exige a criação de empregos em vários níveis de especialização. Portanto, também sob o ponto de vista social, o etanol é preferível ao petróleo do pré-sal.

Com apenas 8% dos 200 milhões de hectares de pastagem, seria possível substituir por etanol 5% da gasolina consumida no planeta. Ou seja, a opção pelo etanol nessa medida, bastante conservadora, proporcionaria uma produção de combustível líquido entre três e quatro vezes maior que todo o petróleo do pré-sal até hoje confirmado, e não apenas por 60 ou 80 anos, mas indefinidamente.

Se tudo o que foi dito aqui é verdade, ou pelo menos verossímil, então como se explica a opção pelo pré-sal? Ou é um grande equívoco ou é uma revelação. A imensa intuição do presidente Lula deve ter percebido que o Brasil, nesse estado juvenil de desenvolvimento em que se encontra, precisa de um projeto nacional, pioneiro. Precisa de seu "homem na Lua".

Enquanto o etanol seria só um pouco mais da mesmice prosaica do século passado, o pré-sal, com seus imensos desafios tecnológicos e financeiros, seria a bandeira do desenvolvimentismo ousado, para não dizer agressivo, que deveria propelir o país no século 21. O Brasil chegaria, assim, mais fundo, aonde nenhum outro país teria ousado ir.

Rogério Cézar de Cerqueira Leite é físico e professor emérito da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), presidente do Conselho de Administração da ABTLuS (Associação Brasileira de Tecnologia de Luz Síncrotron) e membro do Conselho Editorial do jornal Folha de S. Paulo.

Artigo publicado originalmente no jornal Folha de S. Paulo, edição de 08 de fevereiro de 2011.

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